
Voltei a jogar basquete. Neste fim de semana, fiz uma constatação observando um cara, que por causa dos compromissos da vida, como estudo, emprego, família, há tempos não colocava o tênis e não entrava numa quadra: o basquete é cruel com os sedentários! Não perdoa quem está fora de forma. Você busca o ar e não vem, o cérebro manda, o corpo até tenta, mas não consegue obedecer.
Eu sabia o que ele estava sentindo. Pois, há algumas semanas, passei pela mesma situação. Confesso que é no mínino estranho sentir na pele de que o tempo passou, de que você não é mais a mesma pessoa, que se dedicou a outras atividades e deixou de lado algo prazeroso e que julgava eterno. A juventude passou e com ela foi embora parte da vitalidade. Movimentos que eram feitos com tanta simplicidade, pareciam que estavam sendo executadas por uma pessoa de 80 anos. Estranho, mas não tenho nem a metade disso.
Descobri também que esse colapso é só nos cinco minutos iniciais, depois você encontra o seu ritmo e domina o cansaço. Para isso, o jeito é colocar-se em situações em que não precisa se movimentar tanto, passa a administrar o jogo e deixa a correria com os mais jovens e velozes. Hoje, entendo o que ex-atletas passam...
Diferente do futebol, quando um atacante pode ficar a maior parte do tempo com as mãos na cintura, esperando a bola chegar aos seus pés, no basquete, todos, simplesmente os cinco jogadores, precisam se esforçar para ficar com a bola nas mãos e fazer mais cestas do que o adversário. Por causa dessa grande movimentação, ele é considerado o segundo esporte mais completo, perdendo apenas para a natação.
Gosto do basquete por causa da dependência mútua, do companheirismo constante e do desafio de se atravessar uma enorme distância para colocar a bola num pequeno espaço. Essas situações podem ter várias leituras, e suas interpretações serem aplicadas em vários momentos da vida, como a de que nunca fazemos nada sozinhos, pois precisamos sempre de outras pessoas; um companheiro facilita a nossa caminhada; e por maior que sejam os desafios,não devemos desistir de nossos objetivos. O basquete é fenomenal!
Essa minha volta não foi apenas a decisão de colocar o sedentarismo para fora de jogo, mas de fazer algo muito maior. O objetivo é retomar, aos poucos, muitas das coisas de que gostava, mas que por causa do necessário, dos compromissos, da responsabilidade, deixei de lado. Isso não é bom. Pois assim como na quadra, na vida é preciso equilíbrio, para que você não seja derrotado.
Por outro lado, preciso reconhecer que neste período, muitas coisas positivas aconteceram. Tornei-me microempresário (falo disso em outros posts), tive um filho, fiz uma pós-graduação, li livros incríveis e passei por momentos marcantes, mas confesso, por pura falta de tempo, não consegui compartilhar esses momentos com vocês. Espero que essa volta às quadras e às “Palavras Certas” seja um momento de reviravolta e que esses encontros sejam mais constantes.
Um abraço e até mais.
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