Texto e fotos: Uilians Uilson Santos
Fernando está sentado olhando a
rua. É dessa forma que, há alguns anos, tem passado a maioria de seus dias: observando o movimento dos pedestres, o fluxo dos veículos na via de paralelepípedo, enquanto pensa sobre tudo o que passou em seus 78 anos de vida. Às vezes, suspira e deixa escapar uma frase que demonstra profunda ansiedade: - Ela não chega. Todo mundo diz que ela virá, mas não chega.
De aparência triste e saudosista, seu Fernando, como é conhecido na região, é Fernando da Silva Figüeiro, um português de berço e brasileiro por opção, que há 58 anos desembarcou no país para viver, construir uma família e conquistar um patrimônio com o conhecimento que adquiriu em sua terra: a sapataria.
Durante muito tempo, conseguiu. Mas os anos se sucederam, o dinheiro acabou e os fregueses partiram. Hoje, ele passa horas cercado pelos restos de uma prosperidade saudosista. As caixas de sapatos, empoeiradas e empilhadas, guardam o que um dia foram fonte de sua riqueza. Ferramentas paradas, maquinas adormecidas, tudo está lá, debaixo de um teto esburacado e sob o olhar distante dos santos católicos colados na porta com decoração de Papai Noel. A montanha de pedidos esquecidos nas sobras da oficina são os únicos indícios dos fregueses que um dia passaram por ali.
A expectativa desse homem está na chegada de um empreendimento que promete revolucionar toda a região. Com ele chegarão mais pessoas, um novo fôlego de vida e possíveis clientes. Estamos no bairro do Valongo, centro histórico de Santos, onde nos próximos meses, a Petrobrás, que já está na cidade, dará inicio às obras de construção da sede definitiva da Unidade de Negócios da Bacia de Santos, que cuidará de todos os detalhes da exploração dos mega-campos de petróleo do Pré-Sal a centenas quilômetros de distancia em alto mar.
Da futura sede administrativa, sairão ordens e diretrizes a serem aplicadas nas frentes de trabalho entre Cabo Frio, no Rio de Janeiro, até Florianópolis, Santa Catarina. Os números que cercam essa construção dão a dimensão da magnitude deste empreendimento. Serão três torres, numa área de 42 mil metros quadrados, quando estiverem concluídas, em meados de 2012, 6 mil funcionários, apenas da Petrobrás, trabalharão no local. Para que sejam exploradas as gigantescas reservas de
óleo e gás, em 10 anos devem ser investidos 18 bilhões de reais só na Bacia de Santos. A previsão é que a Unidade de Negócio gere também, na Baixada Santista, mais 20 mil postos de emprego de forma indireta. Além de movimentar a economia regional, será um pólo de desenvolvimento que se estenderá por todo país.
No entanto, para isso se tornar realidade, muita coisa ainda precisa ser feita. O local que será a sede, hoje não passa de um terreno baldio, repleto de mato e construções apodrecidas. A imagem também pode ser
vista como um retrato do que se tornou a vizinhança.
O Valongo tem a igreja, que dá nome ao bairro, situada à Rua São Bento. Construída em 1640, guarda peças de imenso valor histórico e sagrado. Ao lado, está a Estação Ferroviária que, por muito tempo, foi um dos principais acessos entre o porto e a capital. Ruas de paralelepípedo, empresas de logística, bares, armazéns, transportadoras, residências, ruínas, Ong, moradores de rua, marginais e muitos caminhões dividem o mesmo espaço. Mesmo a aproximadamente um quilômetro da Praça Mauá, marco zero da cidade, o bairro não acompanhou a evolução e permaneceu estático e esquecido. Segundo a própria Petrobrás, esta região da cidade foi escolhida por atender critérios técnicos, como a proximidade do porto (está a pouco mais de um quarteirão do terminal), fácil acesso ao Sistema Anchieta-Imigrantes (ligação entre a Baixada e São Paulo) e por estar praticamente ao lado da Base Aérea de Santos, onde deve ser construído o Aeroporto Civil Metropolitano da Baixada Santista (antigo sonho regional).
Enquanto que na avenida portuária os caminhões transportam boa parte da riqueza brasileira, num balé frenético, que em vários momentos lembra a movimentação sanguínea nas artérias, nas ruas do Valongo, ao redor de onde serão as torres, é como se o tem
po estivesse parado, aguardando por dias melhores que teimam em não aparecer.
Em frente à estação, fica o Largo Marquês do Monte Alegre onde estão as ruínas de um antigo Casarão que no futuro deve abrigar o Museu Pelé. A sinuosa Rua Senador Cristiano Otoni nada mais é do que uma via de acesso ao porto. Como o muro neste local é baixo, dá para ver que um vigilante toma conta do que sobrou do passado próspero que, espera-se logo deve voltar. Deste ponto, como há mais espaço, será possível contemplar as construções quando as torres estiverem concluídas.
rua. É dessa forma que, há alguns anos, tem passado a maioria de seus dias: observando o movimento dos pedestres, o fluxo dos veículos na via de paralelepípedo, enquanto pensa sobre tudo o que passou em seus 78 anos de vida. Às vezes, suspira e deixa escapar uma frase que demonstra profunda ansiedade: - Ela não chega. Todo mundo diz que ela virá, mas não chega.De aparência triste e saudosista, seu Fernando, como é conhecido na região, é Fernando da Silva Figüeiro, um português de berço e brasileiro por opção, que há 58 anos desembarcou no país para viver, construir uma família e conquistar um patrimônio com o conhecimento que adquiriu em sua terra: a sapataria.
Durante muito tempo, conseguiu. Mas os anos se sucederam, o dinheiro acabou e os fregueses partiram. Hoje, ele passa horas cercado pelos restos de uma prosperidade saudosista. As caixas de sapatos, empoeiradas e empilhadas, guardam o que um dia foram fonte de sua riqueza. Ferramentas paradas, maquinas adormecidas, tudo está lá, debaixo de um teto esburacado e sob o olhar distante dos santos católicos colados na porta com decoração de Papai Noel. A montanha de pedidos esquecidos nas sobras da oficina são os únicos indícios dos fregueses que um dia passaram por ali.
A expectativa desse homem está na chegada de um empreendimento que promete revolucionar toda a região. Com ele chegarão mais pessoas, um novo fôlego de vida e possíveis clientes. Estamos no bairro do Valongo, centro histórico de Santos, onde nos próximos meses, a Petrobrás, que já está na cidade, dará inicio às obras de construção da sede definitiva da Unidade de Negócios da Bacia de Santos, que cuidará de todos os detalhes da exploração dos mega-campos de petróleo do Pré-Sal a centenas quilômetros de distancia em alto mar.
Da futura sede administrativa, sairão ordens e diretrizes a serem aplicadas nas frentes de trabalho entre Cabo Frio, no Rio de Janeiro, até Florianópolis, Santa Catarina. Os números que cercam essa construção dão a dimensão da magnitude deste empreendimento. Serão três torres, numa área de 42 mil metros quadrados, quando estiverem concluídas, em meados de 2012, 6 mil funcionários, apenas da Petrobrás, trabalharão no local. Para que sejam exploradas as gigantescas reservas de
No entanto, para isso se tornar realidade, muita coisa ainda precisa ser feita. O local que será a sede, hoje não passa de um terreno baldio, repleto de mato e construções apodrecidas. A imagem também pode ser
vista como um retrato do que se tornou a vizinhança.O Valongo tem a igreja, que dá nome ao bairro, situada à Rua São Bento. Construída em 1640, guarda peças de imenso valor histórico e sagrado. Ao lado, está a Estação Ferroviária que, por muito tempo, foi um dos principais acessos entre o porto e a capital. Ruas de paralelepípedo, empresas de logística, bares, armazéns, transportadoras, residências, ruínas, Ong, moradores de rua, marginais e muitos caminhões dividem o mesmo espaço. Mesmo a aproximadamente um quilômetro da Praça Mauá, marco zero da cidade, o bairro não acompanhou a evolução e permaneceu estático e esquecido. Segundo a própria Petrobrás, esta região da cidade foi escolhida por atender critérios técnicos, como a proximidade do porto (está a pouco mais de um quarteirão do terminal), fácil acesso ao Sistema Anchieta-Imigrantes (ligação entre a Baixada e São Paulo) e por estar praticamente ao lado da Base Aérea de Santos, onde deve ser construído o Aeroporto Civil Metropolitano da Baixada Santista (antigo sonho regional).
Enquanto que na avenida portuária os caminhões transportam boa parte da riqueza brasileira, num balé frenético, que em vários momentos lembra a movimentação sanguínea nas artérias, nas ruas do Valongo, ao redor de onde serão as torres, é como se o tem
Em frente à estação, fica o Largo Marquês do Monte Alegre onde estão as ruínas de um antigo Casarão que no futuro deve abrigar o Museu Pelé. A sinuosa Rua Senador Cristiano Otoni nada mais é do que uma via de acesso ao porto. Como o muro neste local é baixo, dá para ver que um vigilante toma conta do que sobrou do passado próspero que, espera-se logo deve voltar. Deste ponto, como há mais espaço, será possível contemplar as construções quando as torres estiverem concluídas.



